domingo, 5 de outubro de 2025

MAX WEBER, AÇÃO SOCIAL

 A primeira estrofe do poema “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto, afirma que:

“Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.”

Com base na teoria da sociologia compreensiva de Max Weber, especialmente no conceito de ação social, assinale a alternativa que melhor relaciona o poema à noção de sociedade como tecido social de ações dotadas de sentido e expectativas mútuas.


a) O poema ilustra a ideia de que as ações individuais são autônomas e bastam por si mesmas, sendo a sociedade resultado espontâneo da soma de ações isoladas, sem necessidade de sentido compartilhado.

b) Assim como cada galo canta de forma independente, Weber entende que o sentido das ações sociais se perde quando os indivíduos agem em função dos outros, devendo-se valorizar apenas as ações racionais voltadas a fins.

c) A metáfora dos galos tecendo a manhã representa a interdependência das ações humanas, nas quais cada ato ganha sentido apenas em relação aos outros — como nas ações sociais weberianas, que se orientam pelas expectativas mútuas entre indivíduos.

d) O poema reflete a ação afetiva descrita por Weber, pois os galos agem movidos exclusivamente por emoções e impulsos, sem qualquer orientação racional ou expectativa em relação aos outros.

e) A teia dos galos simboliza a tradição imutável das ações sociais, que se repetem mecanicamente ao longo do tempo, sem envolver significado ou comunicação entre os sujeitos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

AÇÃO SOCIAL

 Em uma universidade, um professor doutor com décadas de pesquisa em mudanças climáticas é amplamente respeitado em sua área e frequentemente consultado por veículos de imprensa por sua autoridade acadêmica. No entanto, ele possui uma renda moderada, típica da carreira docente. Em contraste, um influente investidor do mercado financeiro, sem formação acadêmica em ambientalismo, mas com vasta fortuna, decide financiar um grande instituto de pesquisa sobre sustentabilidade. Apesar de não ter o mesmo reconhecimento científico, ele consegue influenciar agendas de pesquisa devido aos recursos que oferece.

Com base na teoria weberiana da estratificação social, a diferença de influência entre o professor e o investidor no campo ambiental deve-se principalmente:

A) À ação tradicional, pois a autoridade do professor é baseada em costumes acadêmicos herdados, que são superiores à influência econômica.

B) Ao status social, pois o prestígio do professor como cientista garante a ele total autonomia sobre as decisões de pesquisa, independentemente de financiamentos.

C) Ao poder político, pois ambos pertencem a partidos ou grupos de interesse que determinam sua influência na área ambiental.

D) À mobilidade social, pois o investidor ascendeu economicamente e, por isso, possui mais legitimidade para decidir sobre temas científicos.

E) À classe social, pois o investidor, com maior poder econômico, pode direcionar recursos e definir prioridades de pesquisa, enquanto o professor possui autoridade acadêmica (status), mas não o mesmo poder financeiro.


AÇÃO SOCIAL

 Em uma pequena cidade do interior, todos os anos, no mês de junho, a população se reúne para realizar a tradicional festa junina. As comidas típicas são preparadas seguindo receitas centenárias, as danças são coreografadas exatamente como foram aprendidas com os antepassados e a organização dos eventos é feita da mesma forma há décadas, sem que ninguém questione ou proponha mudanças significativas.

De acordo com a teoria weberiana, a conduta da população em relação à festa junina é um exemplo clássico de:

A) Ação social afetiva, pois é motivada por sentimentos de alegria e nostalgia que a festa provoca.

B) Ação social tradicional, pois é orientada por costumes e hábitos herdados e reproduzidos automaticamente.

C) Ação social racional com relação a fins, pois busca maximizar o lucro e o aproveitamento turístico do evento.

D) Ação social racional com relação a valores, pois obedece a um ideal cultural e comunitário incondicional.

E) Ação social carismática, pois é influenciada pela liderança de um organizador com qualidades excepcionais.

AÇÃO SOCIAL

 Em uma cidade industrial, os operários de uma fábrica costumavam organizar sua produção com base em saberes práticos transmitidos entre gerações, observando ritmos naturais e usando técnicas artesanais. Com a chegada de uma nova gerência, é implantado um sistema de produção baseado em cronometragem científica, linhas de montagem e padronização de gestos, buscando a máxima eficiência. Os antigos mestres de ofício perdem sua autoridade, que agora emana dos engenheiros e dos manuais de procedimentos.

À luz da teoria weberiana, a transformação descrita no processo produtivo ilustra:

A) Um retrocesso na organização do trabalho, pois o conhecimento técnico-científico mostrou-se menos eficaz que os saberes tradicionais.

B) O fortalecimento do carisma dos mestres de ofício, cuja autoridade se baseava em qualidades excepcionais e no respeito pessoal.

C) A predominância de uma ação social afetiva, na qual os laços emocionais entre os operários são reforçados para aumentar a produtividade.

D) A substituição de uma ação social tradicional, baseada em costumes e saberes herdados, por uma ação racional com relação a fins, orientada por cálculos de eficiência e regras impessoais.

E) Um caso de dominação tradicional, onde a nova gerência impõe seu poder baseado em valores herdados e na crença na santidade das novas regras. 

ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL

 Um sindicato de trabalhadores rurais, representando agricultores de baixa renda, consegue articular pressão política suficiente para influenciar a votação de uma lei de zoneamento agrícola. Enquanto isso, um grande fazendeiro, individualmente muito rico e com prestígio local, não obtém o mesmo resultado sozinho, apesar de sua fortuna e reconhecimento pessoal.

Com base na teoria weberiana da estratificação social, a capacidade do sindicato de influenciar a política de forma mais eficaz que o fazendeiro isolado deve-se principalmente à:

A) Classe social, pois os membros do sindicato possuem uma condição econômica coletiva superior à do fazendeiro individual.

B) Status social, pois os agricultores possuem maior prestígio e honra social perante a comunidade.

C) Partido, pois o sindicato atua como um grupo organizado que busca poder e influência política através de ação coletiva.

D) Mobilidade social, pois os trabalhadores rurais ascenderam economicamente através da organização sindical.

E) Poder tradicional, pois a autoridade do sindicato é baseada em costumes e hierarquias herdadas.

DOMINAÇÃO

 Em um pequeno reino, o soberano governa há décadas. Sua autoridade não é questionada, pois é vista como natural e divina, herdada de seus ancestrais através de uma linhagem real que remonta a séculos. A população obedece às suas leis não porque elas sejam racionais ou escritas, mas porque "sempre foi assim": a tradição e o costume santificaram seu direito de governar. O próprio rei vê seu poder como um dever sagrado, recebido de seu pai e que será passado a seu filho.

Com base na teoria weberiana, o tipo de dominação exercida nesse reino é predominantemente:

A) Legal-racional, pois a obediência é baseada em estatutos e leis formalmente estabelecidos.

B) Tradicional, pois a autoridade é legitimada pela crença na santidade das ordens e poderes herdados do passado.

C) Carismática, pois o governante conquista lealdade através de qualidades pessoais extraordinárias.

D) Burocrática, pois a estrutura do Estado é organizada de forma impessoal e hierárquica.

E) Conflituosa, pois a dominação é mantida pela coerção e medo da repressão.

TEORIA DA AÇÃO SOCIAL

 Em uma pequena vila pesqueira, os moradores se organizam para realizar a tradicional "Festa do Pescador", que acontece há gerações em homenagem ao santo padroeiro. A celebração envolve a decoração dos barcos, uma procissão marítima e um jantar comunitário. Todos participam seguindo os mesmos rituais herdados de seus antepassados, sem a necessidade de regras escritas ou coordenação formal. A conduta de cada pessoa é orientada pela expectativa de que os outros também cumprirão seus papéis tradicionais, como sempre foi feito.

Com base no conceito weberiano, a dinâmica social descrita na festa da vila pode ser definida primordialmente como:

A) Uma relação social comunitária (Vergemeinschaftung), fundamentada em laços tradicionais, sentimentos de pertencimento e uma orientação baseada no costume.

B) Uma relação social associativa (Vergesellschaftung), baseada em um acordo racional e voluntário para atingir um objetivo prático específico.

C) Uma ação social afetiva, onde a conduta é determinada por emoções imediatas e laços passionais entre os participantes.

D) Uma ação social racional com relação a fins, na qual os moradores calculam os meios mais eficientes para organizar a festa.

E) Uma relação social conflituosa, marcada por disputas sobre como a tradição deve ser mantida.

DOMINAÇÃO

 Max Weber define dominação como a probabilidade de um comando ser obedecido por um grupo. Para que a dominação seja estável, ela precisa ser vista como legítima (justa e válida). Weber identificou três tipos ideais de dominação legítima:

Tradicional: baseada em costumes e crenças herdadas (ex.: monarquia).

Carismática: baseada nas qualidades extraordinárias de um líder (ex.: líderes revolucionários).

Legal-racional: baseada em leis e regras impessoais (ex.: governo democrático, empresas).

Observe o seguinte exemplo:

Em uma pequena comunidade indígena, o cacique é a autoridade máxima. Seu direito de liderar não foi escolhido por eleição, mas é herdado de seu pai, que era cacique antes dele, e de seu avô, que também ocupou o mesmo posto. Os membros da tribo obedecem às suas decisões porque essa sempre foi a forma como as coisas funcionaram, respeitando a linhagem e os costumes ancestrais.

Com base na teoria weberiana:

Identifique que tipo de dominação está presente nessa situação e justifique sua resposta.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

MINAS GERIAS: PERÍODO IMPERIAL

 Minas Gerais ocupou um lugar central na política do Império Brasileiro, sendo palco de transformações econômicas, disputas de poder e movimentos que moldaram o destino do país. Durante o Ciclo do Ouro, Minas já era a região mais populosa e economicamente estratégica do Brasil ao fim do período colonial. A elite mineira era formada por grandes proprietários rurais, chamados de "barões do café" ou "coronéis", que controlavam o poder local por meio do clientelismo e do voto de cabresto. Minas Gerais tinha uma bancada influente na Assembleia Geral (Câmara dos Deputados e Senado). Seus políticos eram conhecidos por pragmatismo e habilidade negociadora. A partir da década de 1840, consolidou-se a Política de Alternância entre mineiros e paulistas na presidência do Conselho de Ministros (equivalente a primeiro-ministro), base do futuro "Café com Leite" na República. A política mineira era marcada por acordos e evitar conflitos radicais, refletindo no lema "Unidade e Concórdia" da bandeira do estado. Localizada no centro do país e com fronteiras com múltiplas províncias, Minas era estratégica para a estabilidade do Império. Minas Gerais foi não apenas uma província rica, mas um ator político indispensável à governabilidade do Império. Sua elite soube equilibrar tradição e modernidade, conservadorismo e pragmatismo, tornando-se peça-chave na transição para a República. Seu modelo de política conciliadora influenciaria o Brasil até os dias atuais.

Com base no texto, assinale a alternativa que melhor sintetiza o papel político de Minas Gerais durante o Império Brasileiro:

A) A província destacou-se por seu pragmatismo político, com uma elite agrária que controlava o poder local e articulou-se nacionalmente, sendo peça central na governabilidade e na alternância de poder com São Paulo.

B) Minas Gerais manteve-se isolada politicamente, recusando-se a participar de alianças nacionais e focando exclusivamente em sua produção agrícola sem influência no cenário imperial.

C) Minas Gerais liderou movimentos separatistas durante o Império, rejeitando a autoridade central do Rio de Janeiro e defendendo a fragmentação do território brasileiro.

D) A elite mineira priorizou conflitos radicais e rupturas, rejeitando acordos e sendo marginalizada nas decisões do Parlamento Imperial.

E) A província tornou-se irrelevante após o fim do Ciclo do Ouro, perdendo espaço para regiões como a Bahia e o Rio Grande do Sul no cenário político nacional.

CORONELISMO

O coronelismo foi um sistema de poder político e social predominante no Brasil, especialmente durante a Primeira República (1889-1930), mas com raízes no período imperial e resquícios até hoje. Sob uma perspectiva sociológica, ele representa uma forma de dominação personalista e clientelista, onde grandes proprietários rurais (os "coronéis") exerciam controle sobre a população, a economia e o Estado em nível local. O termo "coronel" origina-se da Guarda Nacional, milícia do período imperial que concedia título de coronel a grandes fazendeiros. Com a Proclamação da República (1889) e a descentralização política, os coronéis ampliaram seu poder, tornando-se peças-chave na articulação entre o poder local e o federal.

Com base no texto apresentado, assinale a alternativa que melhor define o coronelismo enquanto sistema de poder no Brasil:

A) Um regime político centralizador típico do período imperial, em que o título de "coronel" era concedido exclusivamente a militares de alta patente, sem relação com proprietários rurais.

B) Uma forma de dominação personalista e clientelista, enraizada no poder local de grandes proprietários rurais, que articulavam o controle sobre a população, a economia e o Estado, especialmente durante a Primeira República.

C) Um sistema econômico industrializante que emergiu no século XX, baseado na concessão de títulos honoríficos a empresários urbanos que financiavam campanhas políticas.

D) Uma prática exclusivamente cultural, restrita a manifestações folclóricas do interior do Brasil, sem impacto nas estruturas políticas nacionais.

E) Um modelo de administração pública tecnocrática, implementado após a Revolução de 1930, para eliminar vícios oligárquicos do período anterior.

GETÚLIO VARGAS

O segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954) foi marcado por profundas contradições políticas, econômicas e sociais que culminaram em uma crise estrutural e em seu trágico desfecho. Sob uma perspectiva sociológica, essa crise reflete as tensões inerentes ao processo de modernização conservadora no Brasil, onde avanços sociais conviviam com arranjos políticos autoritários e dependência econômica. Getúlio Vargas retornou ao poder em 1951 por meio de eleições democráticas, em um contexto de intensificação das lutas trabalhistas, crescimento urbano e industrialização. Seu projeto nacional-desenvolvimentista buscava conciliar os interesses de trabalhadores urbanos, empresários industriais e capital internacional. No entanto, essa conciliação se mostrou frágil diante de: pressões de grupos antagônicos, inflação e dependência externa, conflito entre projetos de nação.

Considerando o texto e os conhecimentos sobre a Era Vargas, a principal razão sociológica para o fracasso dessa conciliação foi:

A) A ausência de conflitos entre elites e trabalhadores, o que desmobilizou a base política de Vargas.

B) A recusa de Vargas em adotar políticas nacionalistas, como a criação da Petrobras, alienando setores progressistas.

C) A incapacidade de mediar interesses antagônicos em um contexto de pressões inflacionárias, dependência externa e disputas entre projetos nacionais conflitantes.

D) O apoio irrestrito dos Estados Unidos ao governo Vargas, que eliminou as tensões com o capital internacional.

E) A predominância de uma agenda liberal clássica, que rejeitava intervenção estatal na economia e nas relações trabalhistas.

ESTADO NOVO

 Texto I

“O Estado Novo (1937-1945) representou a consolidação de um projeto nacionalista e autoritário, com forte centralização do poder nas mãos do Executivo. Getúlio Vargas implementou uma política de assimilação das massas trabalhadoras por meio de direitos sociais e, ao mesmo tempo, de controle por meio de mecanismos corporativistas e repressivos.”(FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930.)

Texto II

“A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), de 1943, sintetizou o caráter ambíguo do varguismo: por um lado, garantiu direitos históricos aos trabalhadores urbanos; por outro, subordinou os sindicatos ao Estado, impedindo a autonomia das organizações de classe.”(GOMES, Angela de Castro. A Invenção do Trabalhismo.)

Com base nos textos e em seus conhecimentos sobre a Era Vargas (1930-1945), assinale a alternativa que melhor caracteriza a relação entre Estado e sociedade nesse período:

A) O Estado promoveu a democratização radical dos sindicatos, garantindo total autonomia para negociações trabalhistas sem interferência governamental.

B) Houve a implementação de um modelo liberal clássico, com mínima intervenção estatal na economia e nas relações sociais.

C) O Estado adotou uma postura neutra, limitando-se a mediar conflitos entre patrões e empregados sem criar mecanismos de controle social.

D) Desenvolveu-se um sistema de proteção social controlado pelo Estado, que combinou concessão de direitos com instrumentos de dominação e cooptação das massas urbanas.

E) A política trabalhista focou exclusivamente no campo, desconsiderando os operários urbanos e incentivando a reforma agrária.

REPÚBLICA VELHA

 Texto I

“A proclamação da República não significou uma democratização do acesso ao poder. O regime que se seguiu manteve o controle político nas mãos das oligarquias agrárias, que articularam um sistema de dominação baseado na troca de favores, no coronelismo e na manipulação do processo eleitoral.”(FAORO, R. Os Donos do Poder)

Texto II

“A ‘Política dos Governadores’ foi o eixo de sustentação da Primeira República. Através dela, o governo federal garantia o apoio das oligarquias estaduais no Congresso, e estas, em troca, recebiam autonomia e recursos para controlar politicamente seus estados, consolidando um pacto oligárquico de poder.”( CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil)


Com base na análise dos textos e nos conhecimentos de sociologia sobre a Primeira República no Brasil (1889-1930), assinale a alternativa que melhor caracteriza a organização política desse período:


A) Um regime democrático e participativo, com ampla representação popular e distribuição equitativa de poder entre as unidades federativas, garantindo plena autonomia política e financeira aos municípios.

B) Um sistema político centralizador, comandado exclusivamente pelo presidente da República, que anulou a influência dos estados e aboliu as práticas coronelistas, instaurando uma democracia liberal de fato.

C) Uma estrutura de poder descentralizada e caótica, onde os estados tinham total independência, não havia qualquer vínculo de cooperação com o governo federal e as eleições eram completamente livres da influência das elites locais.

D) Uma república oligárquica, mantida por mecanismos de dominação como o coronelismo, o voto de cabresto e a política dos governadores, que garantiam o controle do Estado por uma aliança entre a elite agrária e o poder federal.

E) Um governo de base popular e sindical, que implementou reformas de caráter socialista, redistribuiu terras e promoveu a integração política das massas trabalhadoras urbanas e rurais.