Sofrimento juvenil na era digital
“A crescente taxa de suicídio entre jovens no Brasil não pode ser entendida de forma isolada, mas analisada a partir do contexto mais amplo de transformações socioeconômicas que o país enfrenta. Este fenômeno, que se manifesta de maneira alarmante, está intimamente ligado à saúde mental dos adolescentes e à constituição de uma nova condição social juvenil. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) revelam que a crise de saúde mental afeta uma proporção significativa de jovens, indicando que o sofrimento psíquico é uma realidade comum entre eles. Os dados mostram que, em cada dez adolescentes, três relatam sentir tristeza de forma persistente. O mesmo número indica que já experimentaram vontade de se machucar. Além disso, quase 20% dos jovens afirmam que a vida não vale a pena ser vivida e mais de 40% relatam irritabilidade constante. Entre aqueles que já se autolesionaram, os índices são ainda mais preocupantes, pois mais de 60% dos jovens nessa situação não veem sentido na vida.
Esses números não são meros detalhes estatísticos, uma vez que revelam como o sofrimento psíquico se apresenta social e amplamente distribuído. Uma condição que antecede e alimenta o aumento das taxas de suicídio entre os jovens.
Quando se observa a totalidade do segmento etário de 15 a 29 anos no Brasil, um em cada cinco jovens não está estudando nem trabalhando. Essa realidade é ainda mais preocupante, pois quase dois terços desses jovens vivem em condições de pobreza. Entre os que não estão em atividades produtivas, cerca da metade é formada por mulheres pretas ou pardas. Isso aponta para a formação de um novo sujeito social coletivo, cuja experiência tem sido marcada pelo contexto histórico específico, caracterizado por desigualdades persistentes.
No passado da transição do Brasil da sociedade agrária para urbana e industrial, a condição juvenil foi sendo estruturada fundamentalmente pela relação objetiva da educação, trabalho e autonomia. O ciclo de elevadas taxas de expansão econômica associada à industrialização e urbanização nacional ofereceu importante previsibilidade nas trajetórias dos jovens, em geral cercadas de importante ascensão social. No entanto, a partir da última década do século XX, o Brasil começou a experimentar a desindustrialização precoce acompanhada pela estagnação da renda per capita e bloqueio à mobilidade social ascendente.
Esse processo conduzido pelo receituário neoliberal terminou por reconfiguras as bases de integração e coesão no interior da nova sociedade de serviços hiperconectada fortemente marcada pela precariedade laboral e horizonte de expectativas de futuro cada vez mais rebaixadas.” Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/sofrimento-juvenil-na-era-digital/> Acesso 14 abr. 2026.
“É fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.” Durkheim.
De acordo com Émile Durkheim, os fatos sociais são formas de agir, pensar e sentir que se manifestam de forma coletiva, ou seja, são criadas pela sociedade. Além disso, os fatos sociais são exteriores, coercitivos e gerais.
1.O texto “Sofrimento juvenil na era digital” fala sobre quais fatos sociais?
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2.Descreva, interprete e explique os fatos sociais citados na questão anterior.
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“Afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte.” Guimarães Rosa