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domingo, 10 de novembro de 2024

UFPR, UFPR 2024-2025, Racismo,

 “O racismo nunca é um elemento acrescentado ao sabor de uma investigação no seio dos dados culturais de um grupo. A constelação social, o conjunto cultural, são profundamente remodelados pela existência do racismo. Diz-se correntemente que o racismo é uma chaga da humanidade, mas é preciso que não nos contentemos com essa frase. É preciso procurar incansavelmente as repercussões do racismo em todos os níveis de sociabilidade”. 

Fanon, F. Racismo e cultura. Brasil: Terra sem Amos, 2022. p. 16. 

Considerando o fragmento fornecido, é correto afirmar, a respeito do racismo, que: 

►A) não se trata de componente resultante das análises sobre as desigualdades sociais, culturais ou de classe, mas de fator determinante da estrutura social que institui um modo de hierarquizar diferentes formas de sociabilidade. 

B) se trata de situação específica de discriminação de determinados grupos sociais que não podem ser compreendidos como partes integrantes de uma estrutura social mais ampla. 

C) todas as formas com que ele se manifesta têm uma origem social determinada, as quais, por serem originárias de grupos sociais específicos, não possuem uma dimensão social estruturante. 

D) é epistemologicamente incoerente assumir a perspectiva de que todo racismo é estrutural, pois as sociedades humanas estão, por sua própria natureza, organizadas em torno da premissa da democracia racial. 

E) se trata de um problema importante como objeto sociológico, mas que não pode ser questionado pela Sociologia por se tratar de uma condição natural das relações humanas

terça-feira, 24 de outubro de 2023

UFPR 2023/2024 - Sociologia, Racismo, Poder

 - “O racismo avoluma e desfigura o rosto da cultura que o pratica. A literatura, as artes plásticas, as canções para costureirinhas, os provérbios, os hábitos, os patterns, quer se proponham a fazer-lhe o processo ou banalizá-lo, restituem o racismo. O mesmo é dizer que um grupo social, um país, uma civilização, não podem ser racistas inconscientemente. [...] O racismo não é uma descoberta acidental. Não é um elemento oculto. Não se exigem esforços sobre-humanos para o pôr em evidência. O racismo entra pelos olhos adentro precisamente porque se insere num conjunto caracterizado: o da exploração desavergonhada de um grupo de homens sobre outro que chegou a um estágio de desenvolvimento técnico superior. É por isso que, na maioria das vezes, a opressão militar e econômica precede, possibilita e legitima o racismo”. 

FANON, Frantz. Racismo e cultura. Brasil: Terra sem Amos, 2022. p. 18-19. 

Considerando a descrição apresentada pelo autor sobre a relação entre cultura e racismo, é correto afirmar: 

A) As sociedades contemporâneas não devem se preocupar em combater o racismo, pois já se produz literatura, artes plásticas, canções e demais manifestações culturais que deslegitimam qualquer forma discriminatória que tenha por base as noções de raça. 

B) Embora o racismo possua componentes culturais que estão dispostos em diferentes práticas sociais e na circulação de ideias, ele não pode ser considerado um racismo estrutural, pois manifestações literárias, musicais e artísticas não dizem respeito à estrutura social, mas à cultura de uma dada sociedade. 

C) O racismo não deve ser compreendido como um fenômeno social isolado que resulta unicamente da relação discriminatória entre diferentes etnias, mas como um componente estrutural que reforça a distinção entre diferentes grupos étnicos que se reproduz cultural e ideologicamente. 

D) O racismo flagrante nas sociedades contemporâneas independe de formas de dominação estrutural ou distinção social, mas se apresenta como resultado da opressão militar e econômica de uma sociedade organizada a partir das noções de embranquecimento. 

E) O ocultamento do racismo é presente nas sociedades com grande desigualdade social, sobretudo em virtude da cultura que encobre as relações de dominação e impede que se combata as relações estruturais de discriminação e opressão social.