A primeira estrofe do poema “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto, afirma que:
“Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.”
Com base na teoria da sociologia compreensiva de Max Weber, especialmente no conceito de ação social, assinale a alternativa que melhor relaciona o poema à noção de sociedade como tecido social de ações dotadas de sentido e expectativas mútuas.
a) O poema ilustra a ideia de que as ações individuais são autônomas e bastam por si mesmas, sendo a sociedade resultado espontâneo da soma de ações isoladas, sem necessidade de sentido compartilhado.
b) Assim como cada galo canta de forma independente, Weber entende que o sentido das ações sociais se perde quando os indivíduos agem em função dos outros, devendo-se valorizar apenas as ações racionais voltadas a fins.
c) A metáfora dos galos tecendo a manhã representa a interdependência das ações humanas, nas quais cada ato ganha sentido apenas em relação aos outros — como nas ações sociais weberianas, que se orientam pelas expectativas mútuas entre indivíduos.
d) O poema reflete a ação afetiva descrita por Weber, pois os galos agem movidos exclusivamente por emoções e impulsos, sem qualquer orientação racional ou expectativa em relação aos outros.
e) A teia dos galos simboliza a tradição imutável das ações sociais, que se repetem mecanicamente ao longo do tempo, sem envolver significado ou comunicação entre os sujeitos.
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