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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

TORTO ARADO

 

Em Torto Arado está essa questão: com o fim da escravidão, os ex-escravos não tiveram acesso à terra. É um debate que vem junto com o racismo estrutural...


Itamar Vieira Junior - Com certeza, foram quase quatro séculos de escravidão e temos pouco mais de um século de abolição. E uma abolição incompleta, porque não veio acompanhada das políticas públicas necessárias para inserir essas pessoas num espaço social igualitário. Então, a escravidão continua sendo um problema para o Brasil, até porque a gente reproduz práticas escravistas. Não por acaso a imprensa dá conta de pessoas resgatadas no campo e na cidade em situação de escravidão. Não são uma ou duas pessoas e tem ocorrido com frequência.” Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/11/16/autor-de-torto-arado-diz-que-ficcao-nos-coloca-no-lugar-do-outro-e-ajuda-a-compreender-a-sua-dor. Acesso em: 27 nov. 2023.


Com base no texto, qual é a questão levantada em relação ao fim da escravidão no Brasil?


A) A falta de acesso à terra pelos ex-escravos.

B) A abolição incompleta e a ausência de políticas públicas para inserção social.

C) O debate sobre o racismo estrutural.

D) A reprodução de práticas escravistas na sociedade brasileira.

E) A frequente ocorrência de resgates de pessoas em situação de escravidão no campo e na cidade.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Torto Arado

  “Brasil de Fato - Teus livros são atravessados pela questão da terra. E tens uma experiência como servidor do Incra, trabalhando 17 anos junto aos agricultores, sem-terra, quilombolas. Como essa experiência influenciou a tua literatura? 

Itamar Vieira Junior - Influenciou profundamente. Como você disse, tenho 17 anos de trabalho no Incra com as populações do campo. Fui trabalhar no Maranhão, depois voltei pra Bahia, e conhecendo essa realidade, pude entender o Brasil de uma maneira melhor. No campo, as marcas desse passado que nos divide, que nos fragiliza, ainda estão muito presentes. Foi fundamental para me questionar sobre muitas coisas, entre elas a nossa relação com a terra, o território, o lugar em que vivemos. Os livros estão retratando as populações do campo. Mas estou pensando em todos, estou pensando em nós, inclusive, que muitas vezes vivemos na cidade mas vivemos alienados desse direito ao chão que pisamos, a casa em que vivemos, a rua em que trafegamos. É um direito fundamental para todos os seres humanos. Não há vida sem terra e sem território. Não por acaso todos os conflitos de que a gente tem notícia se dão justamente por isso, por essas pessoas que tem esse direito negado. Se pensarmos na realidade brasileira, vemos ver que há muitos ativistas, lideranças camponesas, ambientalistas, na linha de frente dessa luta e muitas vezes correndo risco de vida. Quantos não se foram nos últimos anos? Só este ano, quantos não morreram por causa dessa batalha? É uma batalha que nos atravessa há séculos. Então, nós que escrevemos e reescrevemos arte, literatura, no fundo estamos registrando o nosso tempo, escrevendo e refletindo sobre ele.” Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2023/11/16/autor-de-torto-arado-diz-que-ficcao-nos-coloca-no-lugar-do-outro-e-ajuda-a-compreender-a-sua-dor>. Acesso em: 21 de nov. 2023. 


Como a experiência de Itamar Vieira Junior como servidor do Incra influenciou sua literatura, de acordo com o trecho fornecido?


a) A experiência no Incra o afastou da realidade do campo, dificultando sua compreensão do Brasil.

b) Itamar Vieira Junior passou a escrever exclusivamente sobre questões urbanas após sua experiência no Incra.

c) A vivência junto às populações do campo permitiu a Itamar entender melhor o Brasil e questionar aspectos como a relação com a terra e o território.

d) O trabalho no Incra não teve influência significativa em sua literatura, que se concentra em outros temas.

e) Itamar Vieira Junior restringiu sua escrita às populações do campo, excluindo a experiência urbana de sua narrativa literária.