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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Karl Marx

 Leia o trecho abaixo de Karl Marx:


“Para o trabalhador, portanto, a separação de capital, renda da terra e trabalho [é] mortal.
A taxa mais baixa e unicamente necessária para o salário é a subsistência do trabalhador durante o trabalho, e ainda [o bastante] para que ele possa sustentar uma família e [para que] a raça dos trabalhadores não se extinga. O salário habitual é, segundo Smith, o mais baixo que é compatível com a mais simples humanidade, isto é, com uma existência animal.
A procura por homens regula necessariamente a produção de homens assim como de qualquer outra mercadoria. Se a oferta é muito maior que a procura, então uma parte dos trabalhadores cai na situação de miséria ou na morte pela fome. A existência do trabalhador é, portanto, reduzida à condição de existência de qualquer outra mercadoria. O trabalhador tornou-se uma mercadoria e é uma sorte para ele conseguir chegar ao homem que se interesse por ele. E a procura, da qual a vida do trabalhador depende, depende do capricho do rico e capitalista.”


Com base no texto, assinale a alternativa correta:


A) O capitalismo garante salários elevados, pois depende da valorização constante do trabalhador.
B) O trabalhador, no sistema capitalista, é reduzido à condição de mercadoria, submetido às leis de mercado.
C) A relação entre capital e trabalho é harmoniosa, baseada na cooperação entre classes.
D) O salário é determinado exclusivamente pela vontade do trabalhador.
E) A oferta de trabalhadores não interfere nas condições de vida da classe trabalhadora.


Resposta correta: B


Karl Marx

 1. “A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes. [Homem] livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta.”

Essa frase de Karl Marx indica que:

A) A história é movida principalmente por ideias filosóficas abstratas.
B) O desenvolvimento histórico ocorre por conflitos entre grupos com interesses opostos.
C) A evolução das sociedades depende apenas de líderes políticos.
D) A história avança de forma aleatória, sem causas sociais definidas.
E) A cultura é o único fator determinante das mudanças históricas.

Resposta correta: B


2. “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração, assim como o espírito de estados de coisas embrutecidos. Ela é o ópio do povo.”

Segundo Karl Marx, essa afirmação sugere que:

A) A religião é sempre prejudicial e deve ser proibida.
B) A religião é a principal forma de conhecimento científico.
C) A religião pode funcionar como consolo que ameniza o sofrimento social, sem eliminar suas causas.
D) A religião é a base de toda organização econômica.
E) A religião é responsável por todas as revoluções sociais.

Resposta correta: C


3. “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos.”

Essa ideia de Karl Marx significa que:

A) Os indivíduos não têm qualquer influência sobre a história.
B) A história é determinada exclusivamente pela vontade individual.
C) Os seres humanos atuam na história, mas dentro de limites impostos por condições herdadas.
D) O passado não exerce nenhuma influência sobre o presente.
E) A história é guiada apenas por fatores naturais.

Resposta correta: C


4. “Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo... o que importa é modificá-lo”

Essa frase de Karl Marx defende que:

A) A filosofia deve ser apenas contemplativa e teórica.
B) A interpretação do mundo é mais importante do que a ação prática.
C) A reflexão filosófica deve estar ligada à transformação concreta da realidade.
D) O conhecimento não tem relação com a prática social.
E) A mudança social ocorre sem necessidade de pensamento crítico.

Resposta correta: C

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

UFPR 2025/2026 - MARX, CLASSE,

“A crítica feita pelo marxismo à propriedade privada dos meios de produção da vida humana dirige-se, antes de tudo, às suas consequências: a exploração da classe de produtores não-possuidores por parte de uma classe de proprietários, a limitação à liberdade e às potencialidades dos primeiros e a desumanização de que ambos são vítimas. Mas o domínio dos possuidores dos meios de produção não se restringe à esfera produtiva: a classe que detém o poder material numa dada sociedade é também a potência política e espiritual dominante.” Quintaneiro, T.; Barbosa, M. L. de O.; Oliveira, M. G. M. de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. p. 33. Com base na reflexão elaborada pelas autoras sobre a teoria social marxista e no que é analisado a respeito da propriedade privada, é correto afirmar que: 

►A) o trecho revela a compreensão dialética que Marx tem da relação entre estrutura e superestrutura, na qual a propriedade privada não é apenas uma modalidade da estrutura econômica, mas a fundamentação material de todo o modo de produção capitalista. 

B) a passagem sugere que Marx compreendia a propriedade como um mal absoluto, ignorando seu papel histórico no desenvolvimento das forças produtivas. 

C) a “classe dominante” tem controle apenas da esfera econômica, já que a subjetividade dos indivíduos é um aspecto que escapa à materialidade do capital. 

D) a “desumanização” citada por Marx seria uma percepção subjetiva, não um fato estrutural, já que indicadores históricos mostram melhoria objetiva na qualidade de vida sob o capitalismo. 

E) Marx reconhece contradições materiais e mostra como elas são limitadas pelas condições culturais e espirituais de uma sociedade.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

BURGUESIA

"Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos,proprietários dos meios de produção social e que empregam o trabalho assalariado. Por proletariado, a classe dos trabalhadores assalariados modernos, que, não possuindo meios de produção próprios, são obrigados a vender sua força de trabalho para poder viver." MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista.


Em uma metrópole brasileira,um grupo de grandes empresários:

•Controla os principais conglomerados de mídia da região

•Financia campanhas de candidatos a cargos públicos

•É proprietário de redes de hospitais e escolas privadas

•Determina políticas salariais para milhares de trabalhadores

•Influencia a especulação imobiliária em áreas urbanas


Com base na teoria marxista e nos textos, a análise correta sobre o grupo de empresários descrito é:


A) Eles representam uma elite burocrática que ascendeu socialmente por meio de concursos públicos e carreiras estatais.

B) Eles caracterizam uma tecnocracia que obtém poder exclusivamente por seu conhecimento técnico e especializado

C) Eles formam uma aristocracia hereditária cujo poder deriva de títulos de nobreza e propriedades feudais.

D) Eles constituem uma burguesia moderna que controla os meios de produção e exerce influência sobre diversas esferas da sociedade.

E) Eles representam uma classe média empreendedora que se desenvolveu a partir de pequenos negócios familiares.


DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

Uma multinacional do setor de tecnologia anuncia a automação de 5.000 postos de trabalho em suas fábricas,substituindo trabalhadores por robôs. Simultaneamente, a empresa registra lucros recordes e distribui dividendos bilionários aos seus acionistas. Os trabalhadores demitidos passam a integrar estatísticas de desemprego estrutural.


Com base na teoria marxista e nos textos, analise a situação descrita:


A) O desenvolvimento tecnológico no capitalismo tende a beneficiar toda a sociedade, criando novas oportunidades de emprego em setores mais qualificados.

B) A automação representa um avanço civilizacional que liberta os trabalhadores de atividades repetitivas, permitindo maior tempo para o lazer e desenvolvimento pessoal.

C) A tecnologia no capitalismo intensifica contradições sociais, concentrando riqueza e excluindo trabalhadores do processo produtivo.

D) A substituição de trabalhadores por máquinas demonstra a capacidade do sistema capitalista de superar suas crises cíclicas por meio da inovação tecnológica.

E) O progresso tecnológico no capitalismo promove naturalmente a distribuição de riqueza, uma vez que reduz custos e aumenta a produtividade geral.

MAIS-VALIA

"O trabalhador recebe em troca de sua força de trabalho um salário que corresponde ao valor necessário para sua subsistência e reprodução. Porém, em poucas horas de trabalho, ele já produz valor equivalente a esse salário. Nas horas restantes de sua jornada, ele produz o que chamamos de mais-valia, que é apropriada gratuitamente pelo capitalista."  MARX, Karl. O Capital.


Dados hipotéticos de uma fábrica de calçados:


· Jornada diária do trabalhador: 8 horas

· Valor produzido por hora de trabalho: R$ 50,00

· Salário diário do trabalhador: R$ 200,00

· Custo com matéria-prima e máquinas por dia: R$ 150,00


Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o conceito de mais-valia em Karl Marx, analise a situação apresentada:


A) O capitalista obtém lucro através da diferença entre o valor do produto final e os custos com matéria-prima, sendo o trabalho apenas um custo como qualquer outro.

B) A mais-valia é gerada porque o trabalhador produz, em 4 horas, valor equivalente ao seu salário, e nas 4 horas restantes trabalha gratuitamente para o capitalista.

C) O lucro do capitalista provém exclusivamente da sua capacidade de comercializar o produto por um valor superior ao custo de produção.

D) A exploração do trabalho ocorre porque o capitalista paga menos pelo valor da força de trabalho do que ela realmente vale no mercado.

E) A relação de exploração se estabelece quando o capitalista reduz o salário do trabalhador abaixo do valor necessário para sua subsistência.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Atividade Karl Marx

 https://g1.globo.com/economia/agronegocios/agro-de-gente-pra-gente/noticia/2025/04/29/por-que-o-brasil-tem-fome-se-e-um-grande-produtor-de-alimentos.ghtml


Leia a reportagem abaixo:


O Brasil é um grande produtor de alimentos, bate recordes anuais na colheita de grãos e é o maior exportador mundial de diversos produtos, como soja, café, carnes, açúcar. Ainda assim, tem gente que acorda sem ter certeza se vai comer.

Os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) mostram que 8,4 milhões de brasileiros passaram fome no triênio 2021-2023, o que representa 3,9% da população nacional.

É exatamente esse indicador que, desde 2021, mantém o Brasil no Mapa da Fome da ONU, de onde país já tinha conseguido sair em 2014, pela primeira vez.



Apesar disso, houve uma melhora em relação ao triênio 2020-2022, quando a fome atingia 4,2% dos brasileiros.


Mas por que o país convive ainda com essa contradição? Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que:


no Brasil, não falta alimentos, mas há muita gente sem dinheiro para comprar comida suficiente – o desemprego caiu, mas os preços dos alimentos têm subido bem acima dos salários;

alguns afirmam que a produção agropecuária tem se voltado mais à exportação do que ao abastecimento interno, e que isso precisa ser reequilibrado para garantir segurança alimentar no futuro;

outros discordam e afirmam que o modelo de produção do país tem dado conta tanto do mercado interno como do externo, e que aumentar a produção não vai tirar pessoas da fome;

as mudanças climáticas são, hoje, o principal risco para o desabastecimento.

o Brasil ainda tem locais com pouca ou nenhuma oferta de alimentos saudáveis, chamados de desertos alimentares.

O g1, inclusive, visitou, em março, um município do Piauí que convivia com a falta de alimentos frescos.


E mostrou como o plantio de hortaliças na região tem tirado pessoas da insegurança alimentar, quando não há acesso regular à alimentos de qualidade para uma vida saudável.

Qual é a diferença entre fome e insegurança alimentar


Graziano, que foi diretor-geral da FAO-ONU entre 2012 e 2019, coordenou o programa Fome Zero, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006).

“Há um grupo de políticas macroeconômicas que são as grandes responsáveis por erradicar a fome quando ela tem a proporção que tem no Brasil: ela é massiva, não é localizada e nem específica".

"Quem não ganha o salário mínimo, passa fome. Então, o que resolve é gerar emprego e melhorar a renda das pessoas”, diz Graziano.

Ele lembra que esse foi o caminho traçado pelo Brasil para sair do Mapa da Fome em 2014. Exemplo disso foram as políticas de valorização do salário mínimo, a criação do Bolsa Família, além de incentivos à agricultura familiar.


Graziano relaciona a volta da fome e do aumento da insegurança alimentar nos últimos anos justamente com a piora dos indicadores de emprego e renda, a partir da crise de 2014/2016.

Essa piora se estendeu até a pandemia.


Ele menciona também o esvaziamento de políticas voltadas para a segurança alimentar durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.


Alguns deles são a merenda escolar e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), no qual o governo federal, os estados e municípios compram produtos de agricultores familiares para doar a escolas, hospitais e a pessoas em vulnerabilidade social.


Esse cenário levou 33 milhões de brasileiros à insegurança alimentar grave em 2022, segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Salários não acompanham inflação


Sílvia Helena de Miranda, pesquisadora do Cepea-USP, afirma que o desemprego começou a cair a partir do segundo trimestre de 2021.

Mas o problema é que os aumentos salariais não acompanharam a disparada da inflação ao longo dos anos.


Entre 2014 e 2024, os salários tiveram um aumento real (já com desconto da inflação) de 5%, enquanto a inflação para a baixa renda subiu 85,8%, e os preços dos alimentos dispararam 116,7%


Os dados de preços citados por Miranda são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE.


“Logo, para a população de menor renda, as condições econômicas de acesso aos alimentos pioraram”, diz Sílvia.

Ela lembra que as famílias mais pobres gastam uma proporção muito maior da renda com alimentos do que as famílias de classe mais elevada.


Comida e commodities


Apesar de a renda ser um pilar fundamental, parte dos especialistas aponta que é preciso repensar o modelo produtivo do Brasil levando em conta a segurança alimentar das próximas gerações.

É o que afirma Elisabetta Recine, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), um órgão consultivo do governo federal.


“Quando se fala se fala em supersafra de grãos no Brasil, se fala, basicamente, de soja e milho, que são voltados para exportação", diz Recine.

"Não é supersafra de feijão, que a gente come, que é voltado para o mercado interno”, afirma.


Hoje, 88% dos grãos que o Brasil colhe por ano correspondem a soja e milho, mostram dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).


Os dois grãos são commodities, ou seja, matérias-primas negociadas em dólar em bolsas de valores internacionais e exportadas como ração para bovinos, suínos e frangos.


Miranda, do Cepea, observa que a soja e o milho não se limitam ao mercado externo, e que também são necessários para a produção de ovos, leite, óleos, carne de frango e de suínos, que integram a cesta básica do consumidor de baixa e média renda no Brasil.


Expansão da soja, queda de arroz e feijão


Em 19 anos, a área plantada de soja cresceu 108%, e a de milho, 63%. Na contramão, o plantio de arroz diminuiu 43%, e o de feijão, 32%, diz a Conab.


Alguns dos motivos que impulsionaram essas mudanças foram o aumento dos custos de produção e a menor rentabilidade para os produtores de arroz e feijão, em comparação com os de soja e milho.


Apesar disso, o consumo de arroz e feijão diminuiu, e a eficiência dessas colheitas aumentou, ou seja, o produtor passou a colher mais por área do que há 19 anos. Com isso, a produção atual tem conseguido dar conta da demanda.

Mas Recine defende um reequilíbrio dessa cadeia de produção, com investimentos públicos no plantio de arroz e feijão, que podem ser feitos via formação de estoques, crédito público e assistência técnica para pequenos produtores.


“Quanto mais basearmos a nossa produção em produtos destinados ao mercado externo, mais risco corremos, pois as regras do mercado e do comércio internacional não estão em nossas mãos"


"A variação cambial (dólar) oscila por questões geopolíticas. A produção de commodities se organiza conforme a demanda e preços internacionais”, destaca presidente do Consea.

Para ela, aumentar a oferta de alimentos básicos pode ainda contribuir para uma redução de preços dos alimentos.


Capacidade de abastecimento


Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), reforça que a insegurança alimentar no Brasil não tem a ver com problemas de abastecimento, e que aumentar a oferta de comida não vai tirar pessoas da fome.

"Para melhorar a nutrição do brasileiro, é preciso melhorar a renda dele", destaca.

"Não só a comida ficou mais cara, como também o transporte, o custo de vida em geral. Hoje, temos muito mais pessoas entrando nos programas sociais do que saindo. E isso é um problema. Não só deste governo, mas de longa data", diz Lucchi.

"Nós passamos por pandemia, por greve de caminhoneiros, sem desabastecer nenhuma região. Claro que tivemos incremento de preço. Frete ficou mais caro. Insumo chegou mais caro. Mas não faltou alimento no Brasil", reforça.

Para o diretor da CNA, é errado também afirmar que o Brasil tem uma cultura mais voltada para a exportação


Lucchi comenta ainda que um dos riscos atuais para crises de desabastecimento são as mudanças climáticas, e que, ao longo dos anos, o Brasil tem desenvolvido sementes resistentes a secas e animais adaptados a temperaturas extremas.

Mas Miranda, do Cepea-USP, acrescenta que o país vai precisar desenvolver novas pesquisas para lidar com esse cenário.


"Os eventos climáticos extremos – que estão se tornando mais frequentes – acabam fazendo com que os modelos de previsão existentes sejam insuficientes para garantir a manutenção dos níveis de produção que já alcançamos", afirma.

"Logo, um conjunto novo de políticas de pesquisa e inovação, agrícolas, industriais, sanitárias, macroeconômicas serão necessárias para evitar ou mitigar o risco de desabastecimento", acrescenta.

'Desertos alimentares'


Apesar de o Brasil ser um grande produtor agrícola, a presidente do Consea observa que, em algumas regiões do país, há locais com pouca ou nenhuma oferta de alimentos frescos, como verduras, frutas, legumes.

São os chamados "desertos alimentares".


“São regiões em que as pessoas precisam percorrer longas distâncias para ter acesso à alimentação diversificada, saudável”, afirma Recine.

Entre 2023 e 2024, em torno de 25 milhões de brasileiros residiam nesses locais. Desses, 6,7 milhões têm baixa renda ou estão em situação de pobreza, aponta dados do Ministério do Desenvolvimento Social.


O g1 conheceu uma dessas regiões, em Betânia do Piauí, que sempre conviveu com a falta de alimentos frescos. Veja no vídeo abaixo como agricultores estão mudando essa situação.


Para Recine, é importante que o governo invista na agricultura familiar nessas regiões, já que esses tipos de produtores são responsáveis por 62% da produção de hortaliças no Brasil.

“Se há alimentos que falta produzir são frutas, verduras e legumes. Não falta produzir arroz e feijão", diz Graziano, do Instituto Fome Zero.

Ele comenta que o consumo de hortaliças e frutas no Brasil não passa de um terço do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 400 gramas por pessoa por dia.


E que a falta de acesso a uma alimentação saudável é um dos principais problemas da insegurança alimentar hoje entre os mais pobres.


Isso porque o consumo de ultraprocessados tem sido relacionado ao desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, obesidade.


Brasil vai sair do Mapa da Fome?


O governo federal tem a meta de sair do Mapa da Fome da ONU em 2026.


Os últimos dados do IBGE mostram que já houve uma redução considerável da insegurança alimentar grave no Brasil, de 33 milhões em 2022, para 8 milhões em 2023.


O representante da FAO-Brasil, Jorge Meza, comenta que isso foi resultado de uma série de políticas, com destaque para o relançamento do Bolsa Família, em 2023, que passou a conceder benefícios adicionais por criança nas famílias, por exemplo.

“Atualmente, esse programa alcança 55 milhões de pessoas”, diz.


Ele cita ainda a merenda escolar, “que atende 40 milhões de alunos”, e o aumento dos recursos do PAA.


“As 8 milhões de pessoas que ainda restam estão em extrema vulnerabilidade social. São pessoas que não foram captadas pela assistência social, não tiveram acesso ao Bolsa Família, pertencem a famílias com crianças fora da escola ou estão em situações de trabalho precário e informal”, explica Recine.

Recine aponta que, para tirar essas pessoas da fome, demandará mais articulação do governo para incluí-las nas políticas públicas.


Para isso, uma das metas do governo federal é ampliar o número de pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Isso porque é preciso estar cadastrado nesse sistema para acessar programas assistenciais.

O problema é que nem todos conhecem esse caminho. E é por isso que o governo precisa fazer uma busca ativa, ou seja, ir atrás dessas pessoas.


Até 2027, o governo federal tem a meta de incluir 80% dos habitantes em risco de insegurança nesse cadastro. É o que prevê o 3º Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, aprovado em março.


Nele, o governo estipula inúmeras estratégias para reduzir a fome, incluindo o aumento de agricultores beneficiados pelo PAA de 85 mil, em 2025, para 95 mil em 2027.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/agro-de-gente-pra-gente/noticia/2025/04/29/por-que-o-brasil-tem-fome-se-e-um-grande-produtor-de-alimentos.ghtml


1. De acordo com a teoria de Karl Marx, a persistência da fome no Brasil, um grande produtor de alimentos, pode ser interpretada como uma manifestação de qual conceito fundamental?

a) Escassez natural de recursos. 

b) Ineficiência do mercado interno. 

c) Contradição inerente ao sistema capitalista. 

d) Falta de políticas públicas adequadas.

Justificativa da 1: à primeira vista, a falta de políticas públicas adequadas parece ser uma explicação plausível para a persistência da fome. No entanto, dentro da estrutura teórica de Karl Marx, essa explicação é considerada superficial e não aborda a raiz do problema. Veja por quê:

  • As políticas públicas são um reflexo da estrutura social e econômica: Para Marx, o Estado e suas políticas não são entidades neutras pairando sobre a sociedade. Eles são, em grande medida, um instrumento da classe dominante (a burguesia) para manter a ordem social e econômica existente. Mesmo políticas que parecem beneficiar os trabalhadores podem ser vistas como concessões táticas para evitar uma instabilidade maior no sistema.
  • A "falta de políticas públicas" não surge do nada: Na perspectiva marxista, a ausência ou inadequação de políticas públicas que garantam o acesso à alimentação para todos não é um erro acidental. Ela está ligada às prioridades do sistema capitalista, onde a busca pelo lucro e a acumulação de capital frequentemente se sobrepõem às necessidades sociais básicas. Se a produção está majoritariamente voltada para a exportação, gerando mais lucro para os grandes produtores, as políticas tendem a favorecer essa dinâmica.
  • A contradição é mais fundamental: Marx argumentaria que mesmo com políticas públicas teoricamente "adequadas" dentro do sistema capitalista, a contradição fundamental entre a produção abundante e a distribuição desigual persistiria em alguma medida. Isso porque a lógica do sistema não é atender às necessidades humanas em primeiro lugar, mas sim gerar lucro.
  • Reformas versus revolução: Embora Marx reconhecesse que lutas por reformas (como melhores políticas públicas) são importantes, ele as via como limitadas dentro da estrutura capitalista. A solução fundamental, para ele, envolveria uma transformação mais profunda da estrutura social e econômica.

Em resumo, enquanto a falta de políticas públicas adequadas é um fator imediato e visível que contribui para a fome, a análise marxista busca uma explicação mais profunda, enraizada nas contradições inerentes ao próprio sistema capitalista. A inadequação das políticas públicas seria, portanto, um sintoma dessas contradições, e não a causa primordial na perspectiva de Marx.

2. A reportagem aponta que, apesar da produção agrícola voltada para a exportação, o problema da fome no Brasil está ligado à falta de poder de compra da população. Como essa situação se relaciona com o conceito marxista de alienação?

a) Demonstra a autonomia do trabalhador em relação ao mercado global. 

b) Ilustra a separação entre o produtor da riqueza (trabalhador) e o acesso a essa riqueza. 

c) Reflete uma distribuição equitativa dos lucros da produção agrícola. 

d) Sinaliza uma integração bem-sucedida do Brasil na economia mundial.

3. A alegação de que o modelo de produção agrícola brasileiro atende tanto ao mercado interno quanto ao externo, e que aumentar a produção não resolverá a fome, confronta diretamente qual aspecto da ideologia burguesa, segundo Marx?

a) A defesa da intervenção estatal na economia. 

b) A crença na capacidade ilimitada do mercado de solucionar problemas sociais. 

c) A naturalização da pobreza como um fenômeno inevitável. 

d) A valorização da agricultura familiar em detrimento do agronegócio.

4. A reportagem menciona que a valorização do salário mínimo e programas como o Bolsa Família contribuíram para a saída do Brasil do Mapa da Fome em 2014. Sob a perspectiva marxista, essas políticas representam:

a) Uma concessão da burguesia para evitar uma revolução proletária. 

b) A plena superação das desigualdades estruturais do capitalismo. 

c) Medidas paliativas que não alteram a lógica fundamental da exploração. 

d) Um exemplo de como o capitalismo pode ser humanizado sem transformações radicais.

5. A expansão da produção de commodities como soja e milho em detrimento de alimentos básicos como arroz e feijão pode ser analisada, sob a ótica marxista, como um reflexo de:

a) Uma estratégia eficiente para garantir a segurança alimentar global. 

b) A priorização dos interesses do capital (lucro com exportação) sobre as necessidades da população. 

c) Uma adaptação natural às mudanças nos hábitos alimentares da população brasileira. 

d) Uma consequência inevitável das vantagens comparativas do Brasil no mercado internacional.

6. A existência de "desertos alimentares" no Brasil, áreas com pouca ou nenhuma oferta de alimentos saudáveis, revela, segundo a teoria marxista:

a) Uma falha isolada na logística de distribuição de alimentos. 

b) A incapacidade do Estado de planejar eficientemente o abastecimento. 

c) Uma manifestação territorial das desigualdades sociais e do acesso diferenciado aos bens essenciais. 

d) Um problema cultural de certas regiões que não valorizam a produção local.

Gabarito:

  1. c)
  2. b)
  3. b)
  4. c)
  5. b)
  6. c)

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

PDE-PR 2024, Classes Sociais

 Em uma cidade industrial, a maior parte dos moradores trabalha em uma grande fábrica, enquanto uma pequena elite detém a propriedade desta e de outras indústrias da região. Os trabalhadores enfrentam longas jornadas e condições difíceis, enquanto os proprietários acumulam grande parte dos lucros e mantêm um alto padrão de vida. Com base nas ideias de Karl Marx sobre o materialismo histórico e dialético e a classe social, como ele entenderia a relação entre os trabalhadores e os proprietários da fábrica?

A) Ambos pertencem à mesma classe social, pois contribuem para o funcionamento da indústria.

B) Trabalhadores e proprietários são divididos em classe baixa e alta com base em mérito individual.

C) Distinção de classe não se aplica, pois tanto trabalhadores quanto proprietários são economicamente dependentes entre si.

--D ) Trabalhadores são proletários que vendem sua força de trabalho; proprietários formam a burguesia, que detém os meios de produção e acumula lucros.

sábado, 14 de dezembro de 2024

PDE-PR 2022, Marx,

 Marx e Engels observaram que, a cada modo de produção, a consciência dos seres humanos se transforma. Na perspectiva do pensamento de Marx e Engels:

A) Não são as condições históricas que produzem as ideias, são as ideias humanas que movem a história.

B) Não são as ideias humanas que movem a história, mas as condições históricas que produzem as ideias.

C) A história é um progresso linear e contínuo, uma sequência de causas e efeitos movido por contradições sociais.

D) As condições políticas produzidas pelas ações concretas dos seres humanos no tempo determinam o ser e o pensar.

PDE-PR 2022, Karl Marx , Mercadoria

 Karl Marx (1818-1883) foi,sem dúvida, quem melhor explicou o funcionamento do capitalismo e as consequências deste modo

de produção para os trabalhadores. Marx distingue nas relações de produção, o valor de uso e o valor de troca das

mercadorias. Sobre essa relação, assinale a afirmativa correta.

A) O valor de troca é definido pela capacidade de satisfazer necessidades humanas.

--B) A diferença entre o valor de uso do trabalho e o valor de troca do mesmo constitui a mais-valia.

C) O trabalhador consegue medir o valor de seu trabalho, pois conhecer todas as etapas do processo produtivo.

D) O valor de uso representa a quantidade de trabalho necessária para produzir um produto qualquer a ser trocado pelo valor

Obs.: Marx fala em valor de uso da mercadoria e não do trabalho.

PDE-PR 2022, Desigualdades Sociais

 A expressão “desigualdade social” descreve uma condição na qual membros de uma sociedade possuem quantias diferentes de riqueza, prestígio ou poder. Considerando as análises feitas por Karl Marx sobre desigualdade e luta de classes, analise as afirmativas a seguir.

I. Para Marx, a desigualdade se estabelece nas relações de produção, que é onde se pode identificar as diferenças entre os homens, particularmente aqueles que exploram e os que são explorados.

II. Marx afirmava que as classes sociais se estratificam segundo o interesse econômico, em função de suas relações de produção e aquisição de bens estando as classes sociais diretamente relacionadas com o mercado e com as possibilidades de acesso que os grupos na sociedade possuem.

III. Segundo Marx, do ponto de vista político, a diferenciação se dá pela distribuição do poder entre os grupos e partidos políticos e também no interior destes, sendo os partidos políticos uma associação, cuja adesão é voluntária e que visa assegurar o poder a um grupo de dirigentes.

IV. Para Marx, as classes são expressão do modo de produzir da sociedade no sentido de que o próprio modo de produção se define pelas relações que intermedeiam entre as classes sociais, e tais relações dependem da relação das classes com os instrumentos de produção.

Está correto o que se afirma apenas em

A) I e III.

--B) I e IV.

C) I, II e III.

D) II, III e IV.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

KARL MARX E FRIEDRICH ENGELS

 Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) foram partícipes da cena da esquerda hegeliana no início da década de 1840. Inspirados por Ludwig Feuerbach (1804-1872), que defendia como tarefa da nova filosofia a transformação da teologia em antropologia, quer dizer, pôr no centro o homem real, a partir de um materialismo que recorria as tradições materialistas inglesas e francesas, mas sem orientação social nem política, Marx e Engels empreenderam a crítica da esquerda hegeliana, para criar a filosofia da práxis e o materialismo histórico.

Com base no texto acima, assinale a alternativa correta sobre o desenvolvimento do pensamento de Karl Marx e Friedrich Engels:


a) Inspirados por Feuerbach, Marx e Engels buscaram superar a esquerda hegeliana, propondo uma filosofia da práxis e do materialismo histórico, que coloca o homem real no centro das questões sociais

b) Marx e Engels adotaram a crítica de Ludwig Feuerbach para desenvolver uma filosofia teológica, centrada nas tradições idealistas da Inglaterra e da França.

c) A filosofia de Marx e Engels é uma continuidade direta do materialismo de Feuerbach, que incluía uma orientação política voltada para a crítica da sociedade industrial.

d) Para Marx e Engels, a filosofia da práxis consistia em uma síntese entre o idealismo hegeliano e a teologia, sem incluir as ideias de Feuerbach.

e) Feuerbach, Marx e Engels criaram juntos o conceito de materialismo histórico, que foi adotado integralmente pela esquerda hegeliana para transformar a filosofia em antropologia.

domingo, 10 de novembro de 2024

UFPR 2024-2025, Karl Marx, Materialismo Histórico Dialético

 - “Segundo Marx, os economistas de seu tempo não reconhecem a historicidade dos fenômenos que se manifestam na sociedade capitalista, por isso suas teorias são comparáveis às dos teólogos, para os quais ‘toda religião estranha é pura invenção humana, enquanto a deles próprios é uma emanação de deus’. Ele questiona a perspectiva para a qual as relações burguesas de produção são naturais, estão de acordo com as leis da natureza, como se fossem ‘independentes da influência do tempo’. Assim, as instituições feudais teriam sido históricas, ironiza, mas as burguesas seriam naturais e, portanto, imutáveis. Para ele, tanto os processos ligados à produção são transitórios, como as ideias, concepções, gostos, crenças, categorias do conhecimento e ideologias os quais, gerados socialmente, dependem do modo como os indivíduos se organizam para produzir”. 

Quintaneiro, T.; Barbosa, M. L. de O.; Oliveira, M. G. M. de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003. p. 29-30. 

Tendo por base esse trecho sobre a obra de Karl Marx, bem como a leitura da obra de Quintaneiro, Barbosa e Oliveira, é correto afirmar: 

A) Não é o ser social quem determina a consciência, mas a consciência que determina o ser social. 

B) O materialismo histórico formulado por Marx é uma ideologia que reafirma a importância do mundo das ideias na construção das sociedades capitalistas. 

C) As relações materiais têm pouca ou nenhuma relação com a teoria formulada por Marx, que julgava suficiente o desenvolvimento do comunismo como uma ideia revolucionária. 

►D) O pensamento e a consciência são decorrências da relação entre indivíduo e natureza, ou seja, derivam das relações materiais. 

E) A luta de classes, a alienação, a ideologia e a revolução são conceitos que prescindem de análise histórico-materialista, pois são atemporais, assim como o de burguesia.

SEED-PR, PSS 2024, Karl Marx, Max Weber, Émile Durkheim, Trabalho

 Os clássicos da sociologia, como Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber, ofereceram diferentes perspectivas sobre o papel do trabalho na sociedade. Suas teorias contribuíram para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e culturais que envolvem o trabalho e sua influência na estrutura social. Com base nas teorias dos clássicos da sociologia sobre o trabalho, assinale a afirmativa correta. 

A) Para Karl Marx, o trabalho é um fator neutro na vida social, sem relação com a exploração ou a alienação do trabalhador no sistema capitalista. 

B) Max Weber via o trabalho apenas como uma atividade econômica, sem qualquer impacto nas crenças, valores ou na formação da ética protestante. 

C) Émile Durkheim acreditava que o trabalho, ao gerar solidariedade orgânica, é fundamental para a coesão social em sociedades complexas e industrializadas..

D) Para os clássicos da sociologia, o trabalho é visto de forma homogênea, sem considerar as diferenças entre trabalho manual e intelectual, nem as implicações dessas diferenças para a estrutura social.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

SEED-PR, PSS 2024, Karl Marx, Mais-Valia

 A mais-valia é a categoria decisiva no entendimento da exploração capitalista e eixo fundamental da permanência do regime do capital, por sua existência o trabalhador é duramente alienado, criando uma fonte de lucro para o capitalista e gerando miséria para outros trabalhadores, pois a intensificação da taxa de mais-valia produzida por um trabalhador permite que o capital crie uma população trabalhadora supérflua que, contemporaneamente, torna-se alvo das políticas sociais focalizadas. (LESSA, Sergio, 2008.) 

Marx percebe que há uma disparidade entre o valor produzido pelo trabalhador e a remuneração que ele recebe. Além dessa premissa: 

A) O sociólogo defende que a mais-valia, por sua vez, é o valor gerado pelo trabalho necessário, entendida como o trabalho não pago, embora não seja uma prática generalista. 

B) A teoria marxista entende que a alienação, mencionada anteriormente, apesar de ser maléfica às relações de trabalho, é também responsável pelo surgimento das revoluções. 

C) O marxismo determina que o capitalista exerça um papel fundamental na exploração da mais-valia, ao impedir o afastamento do trabalhador do produto final de seu trabalho. 

D) Marx estabelece a diferença entre o trabalho pelo qual o trabalhador efetivamente é remunerado (trabalho necessário) e o trabalho cujo valor é apropriado pelo capitalista (trabalho excedente.)..

SEED-PR, PSS 2024, Karl Marx, Luta de Classes

 A luta de classes está inscrita no materialismo histórico. Neste, a concepção da história reside no desenvolvimento do processo real de produção material da vida imediata e das formas de intercâmbio a ele associadas e por ele engendradas. Portanto, o fundamento da história assenta-se nos diferentes estágios pelos quais passa a sociedade civil no “suceder-se de gerações distintas”, até a “história transformar-se em história mundial”. (MARX e ENGELS, 2007, p. 40.) 

Assim, a luta de classes na visão marxista, apresenta-se como: 

A) Resultado dos pressupostos da existência humana e, por consequência, de toda a história. 

B) Resultado da produção que se desenvolve antes ainda da divisão do trabalho, mesmo nas comunidades mecânicas. 

C) Algo inerente à própria consciência, como ato de entendimento individual e independente das relações sociais de trabalho. 

D) Condição fundamental para que o próprio trabalho exista em toda história, desde os primórdios das civilizações e em qualquer sociedade.


Obs.: O gabarito é a letra A. Porém, parece-me incorreto por duas razões:

1) Se assim fosse, o socialismo e o comunismo previsto por Karl Marx não fariam parte da história, pois neles, segundo o autor, não haveria mais conflito de classes uma vez que nem classes existiriam.

2) Se a letra A está correta, a letra B também estaria, uma vez que a luta de classes existe desde antes da divisão do trabalho.

SEED-PR, PSS 2024, Karl Marx,

 O Marxismo mostrou que os homens faziam eles próprios sua história, que nenhuma força sobrenatural se dissimulava atrás do processo histórico. A história, escrevem os fundadores do marxismo, não fez nada, “não possui riqueza enorme”, não “trava combates”! É pelo contrário, o homem real e vivo que faz tudo isso, possui tudo isso e trava todos os combates; não é a “história” que se serve do homem como meio para realidade – como se ela fosse uma pessoa à parte –, os seus fins próprios; ela não é mais que a atividade do homem na produção de seus objetivos. (Spirkine; Yakhot, 1995.) Nessa passagem, e nos pensamentos de Marx, é possível compreender que a história: 

A) Exime-se apenas quando se fala em sociedade, da influência e da determinação dos fatos, pois eles já são predestinados. 

B) Pode ser vista como o resultado das consequências e das mudanças geradas pelas ações do homem sobre a natureza e sobre os próprios homens..

C) É soberana ao ser humano, uma vez que, à medida que o homem modifica suas necessidades materiais, torna-se escravo das contingências históricas. 

D) É o conjunto de acontecimentos, assíncronos ou não, que irá resultar em outras mudanças na forma de organização da sociedade, sucumbindo a ação humana.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

ALIENAÇÃO

 Alienação

Definição prática

Separação ou dissociação dos seres humanos de algum aspecto essencial de sua natureza ou da sociedade, muitas vezes resultando em sentimentos de impotência e desamparo.

Origens do conceito

A aplicação sociológica do termo “alienação” advém das ideias originais de Marx relacionadas ao impacto do capitalismo nas relações sociais e à falta de controle que os seres humanos têm sobre a própria vida. Marx, porém, foi influenciado pela crítica filosófica de Ludwig Feuerbach ao cristianismo. Com a ideia religiosa de um Deus todo poderoso e onisciente, o cristianismo era uma projeção do que na verdade seriam poderes humanos sobre um ser espiritual, sendo a salvação humana alcançável somente após a morte, não neste mundo. Feuerbach via isso como uma forma de alienação ou dissociação e uma mistificação dos poderes humanos que precisavam ser expostos e eliminados.

Marx  retirou o conceito de alienação desse contexto essencial mente religioso e o usou para analisar as condições de trabalho e vida em sociedades seculares inseridas no capitalismo industrial. Para Marx, a “salvação” humana está em tomar à força o controle coletivo sobre todos os aspectos da sociedade de uma pequena classe dominante no poder que explora a massa de trabalhadores. Algumas crenças religiosas faziam parte do controle ideológico que incentivava os trabalhadores a aceitar sua sina no lugar da genuína salvação na eternidade. No século XX, os sociólogos industriais usavam o conceito de alienação para em basar estudos empíricos das relações no local de trabalho sob diferentes sistemas gerenciais. Esse conjunto de pesquisas posterior tendia a ser muito mais psicológico-social do que os primeiros estudos marxistas.

A alienação, segundo Marx, ocorre quando:

a) O trabalhador se identifica completamente com o produto de seu trabalho, experimentando satisfação plena no processo produtivo.

b) A sociedade capitalista permite que todos os indivíduos tenham total controle sobre sua vida e suas decisões econômicas.

c) Os seres humanos se separam da essência de sua natureza e perdem o controle sobre o produto e o processo de seu trabalho, tornando-se alheios a eles.

d) O cristianismo, por reconhecer o poder humano em um Deus espiritual, elimina toda forma de alienação na vida secular.

e) A alienação é um fenômeno que ocorre apenas em sistemas religiosos, sem relação com a estrutura econômica e social.


terça-feira, 17 de setembro de 2024

INDIVÍDUO X SOCIEDADE (MARX)

 Na teoria de Karl Marx, a relação entre indivíduo e sociedade é central para a compreensão das dinâmicas sociais. Qual das alternativas abaixo melhor descreve essa relação?

a) Para Marx, o indivíduo é totalmente autônomo e suas ações não são influenciadas pelas estruturas sociais ou econômicas.

b) Marx acreditava que a sociedade é composta por indivíduos que agem de maneira independente, e as classes sociais não têm impacto significativo sobre suas vidas.

c) Marx argumenta que os indivíduos podem mudar a sociedade por meio de sua vontade pessoal, sem a necessidade de uma mudança nas estruturas econômicas.

d) Na perspectiva marxista, a sociedade determina em grande parte a posição e as condições de vida dos indivíduos, especialmente através das relações de produção e da divisão de classes.

e) Para Marx, a relação entre indivíduo e sociedade é puramente ideológica e não está conectada às condições materiais de vida.

MARX E A LUTA DE CLASSES

 “Desde sempre as elites econômicas têm tentado, de todas as formas, nos oprimir a fim de continuarem se valendo de uma exploração cruel que empobrece, adoece e mata trabalhadores não só no Brasil, mas em todo o mundo. Do outro lado, nós, as organizações que defendem os direitos, a dignidade humana desses trabalhadores, também, desde sempre, temos mostrado resistência e luta contra esse sistema em que, na maioria das vezes, nos principais embates, a correlação de forças é injusta e desigual. A eterna luta de classes, infelizmente, tem sido desta forma nos últimos anos. É um jogo em que até mesmo a consciência de cada trabalhador e cada trabalhadora vem se perdendo para ideologias que atendem aos interesses apenas daqueles que querem nos escravizar.” Disponível em: https://www.cut.org.br/artigos/resgatar-a-consciencia-de-classe-a-trabalhadores-e-fundamental-nos-tempos-973e. Acesso em 9 set. 2024.

A partir do texto apresentado, discuta como a teoria marxista da luta de classes se aplica à análise das desigualdades sociais e econômicas no contexto contemporâneo. Em sua resposta, considere os seguintes aspectos:

1. A relação entre as elites econômicas e os trabalhadores;

2. A ideia de exploração do trabalhador;

3.O papel das organizações de defesa dos direitos dos trabalhadores;

4. A influência das ideologias na consciência de classe dos trabalhadores.

Explique como a luta de classes descrita no texto se relaciona com os conceitos centrais da sociologia de Karl Marx, oferecendo exemplos do contexto atual para ilustrar sua argumentação.