terça-feira, 14 de abril de 2026

CULTURA E SOCIEDADE

 “Em  junho de 1991, os músicos Chico Science – líder da banda Nação Zumbi – e Fred 04 – no comando da banda Mundo Livre S/A – apresentaram em Olinda (PE), um novo ritmo:o “Mangue”,nascido da vontade de “desobstruir as artérias” e buscar o que ainda restava de “fertilidade nas veias do Recife”, cidade onde a população pobre enfrentava enormes dificuldades. No release de imprensa que se transformou em um manifesto de fundação – “Caranguejos com cérebro” – os músicos declararam-se em emergência contra a estagnação, a miséria e o caos urbano da cidade. Inspirado pelo romance “Homens e Caranguejos”, do escritor pernambucano Josué de Castro, o Manguebeat fez do mangue seu lugar referencial: as zonas úmidas, alagadas, quase pantanosas, fronteiriças entre o mar e a terra firme, constituem um dos ecossistemas mais ricos do planeta. Nelas vivem os “homens-caranguejo”, impregnados de lama, que passam a erguer suas antenas para denunciar a realidade social que os asfixia. A saída está em absorver a energia criadora do mangue e injetá-la no Recife exaurido pela pobreza e pela estagnação. Só assim será possível arejar a vida e a cultura da cidade.” Disponível em: <https://novabrasilfm.com.br/musica/manguebeat-o-movimento-que-misturou-maracatu-com-musica-eletronica>. Acesso: 7. abr. 2026.

Do ponto de vista da sociologia da cultura, o movimento Mangue Beat, conforme descrito no texto, pode ser interpretado como uma estratégia de:

A) resgate de uma pureza cultural pré-industrial, por meio da valorização exclusiva das tradições folclóricas nordestinas, em oposição à influência estrangeira.

B) negação do espaço urbano como locus de criação artística, propondo um retorno idealizado às zonas rurais como única forma de resistência à pobreza.

C) utilização da metáfora ecológica do mangue (zona de fronteira, rica e marginalizada) para criticar a estagnação social e articular uma renovação cultural a partir das margens.

D) adoção de uma postura fatalista em relação ao caos urbano, reconhecendo a impossibilidade de transformação da realidade por meio da produção simbólica.

E) separação radical entre cultura erudita e cultura popular, defendendo que apenas a primeira pode oferecer soluções para os problemas sociais da cidade.

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