“Este processo [o de acumulação primitiva] demandou a transformação do corpo em uma máquina de trabalho e a sujeição das mulheres para a reprodução da força de trabalho. Principalmente, exigiu a destruição do poder das mulheres, que, tanto na Europa como na América, foi alcançada por meio do extermínio das “bruxas”. A acumulação primitiva não foi, então, simplesmente uma acumulação e uma concentração de trabalhadores exploráveis e de capital. Foi também uma acumulação de diferenças e divisões dentro da classe trabalhadora, em que as hierarquias construídas sobre o gênero, assim como sobre a “raça” e a idade, se tornaram constitutivas da dominação de classe e da formação do proletariado moderno.” Federici, S. Calibã e a bruxa. Mulheres, corpo e acumulação primitiva. São Paulo: Editora Elefante, 2017. p. 119. Considerando o trecho dado, sobre a abordagem que Silvia Federici faz do conceito de acumulação primitiva, é correto afirmar:
A) A acumulação primitiva foi um processo que afetou igualmente homens e mulheres na formação do proletariado moderno, embora as hierarquias de gênero e raça tenham sido importantes para a construção da força de trabalho.
B) O extermínio das "bruxas" foi um fenômeno religioso que serviu para destruir o conhecimento feminino sobre o corpo e a reprodução e decorreu do fanatismo da Igreja medieval.
►C) A disciplinarização dos corpos foi um processo violento, e a narrativa homogênea da acumulação primitiva apaga as rebeliões camponesas, resistências das mulheres e lutas anticoloniais contra o capital.
D) O poder das mulheres foi fundamental no período da acumulação primitiva, pois elas garantiram o controle sobre a reprodução e a medicina popular.
E) A acumulação primitiva foi um processo econômico que se amparou na concentração de capital, sem o qual a exploração capitalista não teria se consolidado.
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